(Original – Zeca Afonso/Adaptação – EACB)

A morte saiu à rua num dia assim,
Naquele lugar sem nome pra qualquer fim.
Uma gota rubra sobre a calçada cai,
E um rio de sangue do peito aberto sai.

O vento que dá nas canas do canavial,
E a foice duma ceifeira de Portugal,
E o som da bigorna, como um clarim do céu,
Vão dizendo em toda a parte: – O pintor morreu.

Teu sangue pintor, reclama outra morte igual,
Só olho por olho e dente por dente vale.
A lei assassina, a morte que te matou,
Teu corpo pertence à terra que te abraçou.

Aqui te afirmamos, dente por dente assim,
Que um dia rirá melhor quem rirá por fim.
Da curva da estrada há covas feitas no chão,
E em todas florirão rosas por uma nação.

O vento que dá nas canas do canavial,
E a foice duma ceifeira de Portugal,
E o som da bigorna, como um clarim do céu,
Vão dizendo em toda a parte: – O pintor morreu.

(Original – Zeca Afonso/Adaptação – EACB)

Adeus que me vou embora
Adeus que me vou embora
Vou daqui prá minha terra
Que eu desta terra não sou

Tenho minha mãe à espera
Cansada de me esperar
Naquela encosta da serra
Vamos ser dois a chorar

À espera tenho meu pai
Aos anos que o não vejo
O tempo que vai durar
O meu abraço e o meu beijo

Vim solteiro e vou solteiro
Vou livre de coração
Se alguém me quiser prender
Já não vou dizer que não

Adeus que me vou embora
Adeus que me vou embora

(Rádio Macau)

P’la janela mal fechada
Entra já a luz do dia
Morre a sombra desejada
Numa esperança fugidia fugi um dia

Foi uma noite sem sono
Entre saliva e suor
Com um travo de abandono
E gosto a outro sabor

Dizes-me até amanhã
que tem de ser, que te vais
porque o amanhã, sabes bem
é sempre longe demais

Acendo mais um cigarro
Invento mil ideais
Só que amanhã sei-o bem
É sempre longe demais

P’la janela mal fechada
Chega a hora do cansaço
Vai-se o tempo desfiando
em anéis de fumo baço

(original EACB)

a lua deixou de brilhar
apagou a força do meu ser
se um dia eu voltar a amar
ñão vai ser ao amanhecer

e olho o céu
esperando de ver
a bela lua a brilhar

e vou sonhando
com lagrimas a correr
o dia de te voltar a beijar

no meu coração fica a lembrança
do teu belo e doce olhar
agora só resta a esperança
de um dia o meu sonho voltar

e olho o céu
esperando de ver
a bela lua a brilhar

e vou sonhando
com lagrimas a correr
o dia de te voltar a beijar

(original EACB)

Amor o que eu queria
Era estar contigo noite e dia (bis)

A lua vem lá no alto
Triste e solitária
Deixando seu perfume
À bela donzela

E eu aqui esperando
Sonho contigo
Escuto ao longe
Teus passos apressados

Amor o que eu queria
Era estar contigo noite e dia (bis)

E eu vou por esta rua
Na esperança de te encontrar
Correndo até ti
Num caminho sem fim

Ao ver-te à janela
Logo percebi
Musa divinal
Impossível para mim

Amor o que eu queria
Era estar contigo noite e dia (bis)

(original EACB)

Esta velha cidade
Que acolhe o estudante
Deixa sempre uma saudade
A este cantor e amante

Do alto do seu castelo
Mil memórias ficarão
Castelo branco és tão belo!
Ai como aperta o coração

Capas negras de Estudante
Pedaços de história épica
E é por ti que eu canto
Estudantina Académica

E é por ti que eu canto
Estudantina Académica
Capas negras de Estudante
Pedaços de história épica

As cantigas de amor
Pelas ruas a tocar
Deixa a donzela sem fulgor
E o estudante a sonhar

Levamos sempre na alma
No peito e na mente
Essa vaidosa calma
Do castelo imponente

(original EACB)

Sou estudante
Eterno amante
Por tuas ruelas
Amores deixei

Os velhos tempos
Lembram momentos
Da linda cidade
Que não esquecerei

Castelo Branco
Cidade de encanto
Por ti eu canto
Versos de amor
Tua paixão
Quebra a solidão
É luz que ilumina
O meu coração

Tua beleza
Erguida num monte
És tu a fonte
De todo o meu ser

Castelo ao vento
O céu estrelado
Cresce o sentimento
Que me faz viver

(original EACB)

Por muito tempo ateimei
Dizendo que não gostava
Mas quando fiz a prova
Notei que até escorregava

Alguns são um pouco pálidos
Eu prefiro os de cor forte
Bebo pois gosto de beber
Por isso não escolho à sorte

Ancestral Baco
Tu sabias viver sozinho
Podias até comer uvas
Mas preferias beber o vinho

A escolha a ser feita
Depende da região
Mas quem lhe tem amor
Bebe até o carrascão

Seja debaixo do sol quente
Ou à sombra do luar
Não há como o belo tinto
Pela garganta a deslizar

Ancestral Baco
Tu sabias viver sozinho
Podias até comer uvas
Mas preferias beber o vinho

Abençoaste mais amores
Do que posso anunciar
E é até graças a ti
Que alguns podem amar

Toda a vida tem um fim
A minha não é excepção
Mas quando tiver de ir
Quero que me leves pela mão

(Amália Rodrigues)

Não namores os franceses
Menina, Lisboa,
Portugal é meigo às vezes
Mas certas coisas não perdoa
Vê-te bem no espelho
Desse honrado velho
Que o seu belo exemplo atrai
Vai, segue o seu leal conselho
Não dês desgostos ao teu pai

Lisboa não sejas francesa
Com toda a certeza
Não vais ser feliz
Lisboa, que idéia daninha
Vaidosa, alfacinha,
Casar com Paris
Lisboa, tens cá namorados
Que dizem, coitados,
Com as almas na voz
Lisboa, não sejas francesa
Tu és portuguesa
Tu és só pra nós

Tens amor às lindas fardas
Menina, Lisboa,
Vê lá bem pra quem te guardas
Donzela sem recato, enjoa
Tens aí tenentes,
Bravos e valentes,
Nados e criados cá,
Vá, tenha modos mais decentes
Menina caprichosa e má

original: Tenente Dias Catana e Orquestra Tipica Albicastrense | adaptação EACB)

Castelo Branco cidade
Onde a própria claridade
Tem mais folgo e magia
Terra de labor insano
Onde Amato Lusitano
Viu primeiro a luz do dia
Terra de montes e prados
De varões assinalados
Da senhora do castelo
Aos que procuram abrigo
O seu povo bom e amigo
Abre os braços com desvelo.

Terra Bendita
Para nós a mais bonita
Sem desdoiro para as mais
Terra amada onde nasceram
Labutaram e morreram
Nossos avós, nossos pais

Terra querida
Que Deus te dê longa vida
E um bom destino também
O ouro das tuas messes
São hinos de amor, são preces
Dos filhos à terra mãe

Do alto do teu castelo
Que panorama tão belo
A vista alcança! Parece
Que a natureza em redor
Ergue hinos ao criador
Numa ardente e humilde prece
Monsanto, Penamacor
Alpedrinha berço em flor
D’ilustres filhos da beira
Em deslumbrante aguarela
Avulta a Serra da Estrela
Ora branca, ora trigueira.

(original EACB)

Por ruelas e calçadas
De mistério e tradições
Eu ponho-me a cantar
A mais bela das paixões

Procuro o teu olhar nas estrelas
À espera que bata com o meu
És a mais linda das donzelas
E eu quero ser só teu

Eu só sei que te amo,
Eu só sei que te quero,
Para sempre no meu coração,
Minha ilusão.

À janela, canto para ti,
Nas noites levadas p’lo vento.
Juras eternas, quando te vi,
Noites perdidas pelo tempo.

Procuro o teu olhar nas estrelas
À espera que bata com o meu
És a mais linda das donzelas
E eu quero só ser teu

Eu só sei que te amo,
Eu só sei que te quero,
Para sempre no meu coração,
Minha ilusão.

Ouçam
Ouçam
E o vento mudou
Ela não voltou
As aves partiram
As folhas caíram

Ela quis viver
E o mundo correr
Prometeu voltar
Se o vento mudar

E o vento mudou
E ela não voltou
Sei que ela mentiu
P’ra sempre fugiu
Vento por favor
Traz-me o seu amor
Vê que eu vou morrer
Sem não mais a ter

Nuvens tenham dó
Que eu estou tão só
Batam-lhe à janela
Chorem sobre ela
E as nuvens choraram
E quando voltaram
Soube que mentira
P’ra sempre fugira
Nuvens por favor
Cubram minha dor
Já que eu vou morrer
Sem não mais a ter

Ouçam Ouçam ouçam Ouçam ouçam

(Estudantina Académica da Madeira)

Minha donzela abre a janela
Olha p´ra mim, este ar tristonho
A lua ainda sobe
Solta teu amor por mim
A lua ainda sobe
Solta teu amor por mim

De madrugada bem acordado
Canto p’ra ti, toco um fado
Guitarra toca baixinho
Entra em meu coração
Guitarra toca baixinho
Entra em meu coração

Lágrima cai pela face
Espero por ti toda a noite
Se a minha alma falasse
Gritava assim de mansinho
Se a minha alma falasse
Gritava assim de mansinho

(Estudantina Universitária de Coimbra)

Lá da aldeia de onde eu sou
Não perdoo ás raparigas
Se uma o olho me piscou
Meto-me logo em intrigas
Dou-lhe dois o três beijinhos
E vai de bater o pé
Eu não quero mexericos
E assim mesmo é que é
Eu não quero mexericos
E assim mesmo é que é

Ai rapariga se fores à fonte
Vai pelo carreiro que chegas lá mais depressa
Ai tem cuidado com os rapazes
Loucos por ti vê lá se algum tropeça

No outro dia a Rosinha
Que é baixinha e trigueira
Foi ao baile com o Ti Nunes
Andaram na brincadeira
E agora já namoram
É tão bom de ver ai é
Qualquer dia hão-de casar
E assim mesmo é que é

Esta vida são dois dias
Diz o povo e tem razão
E se isto assim continua
Vou gozá-la até mais não
E se encontrar a minha amada
É tão bom de ver ai é
Vou levá-la ao altar
E assim mesmo é que é
Vou levá-la ao altar
E assim mesmo é que é

Ai rapariga, rapariga, rapariga
Rapariga, ai rapariga tem cuidado
Ai rapariga, rapariga, rapariga
Rapariga, rapariga, rapariga tem cuidado

(adaptação EACB)

Senhora do Almortão
A vossa capela cheira
Cheira a cravos, cheira a rosas
Cheira À flor da laranjeira

Senhora do Almortão
Minha tão linda arraiana
Voltai costas a Castela
Não queirais ser castelhana

Olha a laranjinha que caiu, caiu
Num regato de água nunca mais se viu
Nunca mais se viu nem se torna a ver
Cravos à janela, rosas a nascer

A azeitona já está preta (2x)
Já se pode armar aos tordos (2x)

Diz-me lá oh cara linda (2x)
Como vais de amores novos (2x)
Já se pode armar aos tordos

É mentira, é mentira
É mentira, sim senhor
Eu nunca pedi um beijo
Quem mo deu foi meu amor

Quando eu era pequenino (2x)
Acabado de nascer (2x)
Ainda mal abria os olhos (2x)
Já eram para te ver (2x)

Eu não sei como te chamas, oh Maria Faia
Nem que nome te hei-de eu pôr
Oh Maria Faia oh Faia Maria

Cravo não que tu és rosa, oh Maria Faia
Rosa não que tu és flor
Oh Maria Faia oh Faia Maria

Ó Castelo Branco, Ó Castelo Branco
Mirando o cimo da serra –( bis )
Ai, quem nasceu lá em Castelo Branco
Não é feliz noutra terra
Ai, mirando o cimo da serra.

Coração da serra, não ama a cidade
Só na sua terra se sente à vontade
Eu nasci na beira, sou homem pequeno
Sou como o granito bem rijo e moreno.

(Carlos do Carmo)

Eu podia chamar-te pátria minha
Dar-te o mais lindo nome português
Podia dar-te um nome de rainha
Que este amor é de Pedro por Inês.

Mas não há forma não há verso não há leito
Para este fogo amor para este rio.
Como dizer um coração fora do peito?
Meu amor transbordou. E eu sem navio.

Gostar de ti é um poema que não digo
Que não há taça amor para este vinho
Não há guitarra nem cantar de amigo
Não há flor não há flor de verde pinho.

Não há barco nem trigo não há trevo
Não há palavras para dizer esta canção.
Gostar de ti é um poema que não escrevo.
Que há um rio sem leito. E eu sem coração.

(original EACB)

Chegados a Castelo Branco
Cidade à beira serra
Encantado com o que vi
Decidi que iria ser a minha terra

Terras de montes e prados
De beleza sem igual
Tens nos teus jardins
Os melhores de Portugal

Da serra vejo a cidade
Terra do meu encanto
A musa dos meus amores
És tu Castelo Branco

Dominando a paisagem
No alto, o castelo imponente
Mas o que marca a quem passa
é a simpatia da sua gente

Castelo Branco cidade
Sempre bonita e airosa
Quem nunca por cá passou
Não imagina como és formosa

Da serra vejo a cidade
Terra do meu encanto
A musa dos meus amores
És tu Castelo Branco